Monday, April 18, 2005

Acabei de ver o filme com o qual a maioria das solteironas se identifica ou deseja que o mesmo lhes aconteça na vida real: " O Diário de Bridget Jones". Devo confessar que também eu me identifiquei. Quando me deu o impulso de me pegar à escrita, levantei-me da cama e deparei,pela janela, um carro patrulha a fazer um peão no terreno defronte da minha janela, ou, pelo menos, a tentar(este pormenor apenas as pessoas que se entregam à sobriedade o entenderão). bem...em relação ao filme, apenas tenho a dizer que não me identifico com o peso da personagem. De resto, claro que gostaria de encontrar "o tal", mas não é um objectivo. É possivel que um dia aconteça e não fecharei portas. Mas...tenho de amadurecer mais e, por mais banal que isto se se possa entender, tenho de me encontrar. Por enquanto estou satisfeita por não ter possibilidade de alimentar o ímpeto de ligar a uma determinada personagem que surgiu na minha vida (ou será realmente uma pessoa?)
Encontro um grande regozijo por saber que alguém fez um filme com cenas bastante idênticas a umas tantas que acontecem no meu banal dia-a-dia... mas eu sou uns anos mais nova, e como tal,maior a tolerância, se bem que seja de denotar o espanto de algumas pessoas perante aspectos da minha vida que, para mim, são bastante aceitáveis (sinto-me neste momento como Bocage, mas deixo de parte as minhas metáforas sexuais e sinto-me uma perfeita idiota em fazer este comentário, mas, impulsiva como sou, não evito escrevê-lo), no aspecto de não ser permanentemente questionada acerca da minha vida amorosa, afinal...vivi um trauma. Para ti, minha grande amiga que me lês, sei que sabes o que, no fundo, eu sinto e espero...mas estou a aprender a ser paciente. Sinto, neste momento, uma total satisfação por ser tal como sou e sei que os devaneios desta fase são apenas isso... devaneios temporários... E Amanhã saberei estar novamente como sempre estive: sóbria e confiante, sem ataques de pânico, sem medo de enfrentar as agruras da vida. Tudo é tão passageiro e ultrapassável enquanto estamos vivos... por mais que doa, já sabemos que um dia nos vamos sentir melhor!
E é esta a esperança que nos vai alimentando e dando forças todos os dias...

Sunday, April 03, 2005

O meu coração esfriou.
Em nada acredito e amar parece-me impossível, apesar da sede, da fome que tenho de amar...
Todos os dias me sinto apunhalada pelas costas, pelos outros, por mim própria. Por quê vale a pena viver?Ainda não descobri a resposta...será que algum dia vou encontrar? Procurar não quero mais. Prefiro vaguear pela vida. Esperança ainda tenho alguma, embora preferisse não ter. Enquanto vou tendo esperança mais apunhalada me sinto.
A sobriedade repugna-me. Não quero estar sóbria. Não quero sentir o dia, quero esconder-me na noite. Quero escrever um livro sobre o que sinto mas não consigo mais que umas linhas vagas e sem sentido. Não consigo encontrar uma música que me aconchegue no sono. Dou voltas na cama pensando no que não quero pensar, pensando na insignificância que quero dar ao que realmente me incomoda. Também a sobriedade me incomoda terrivelmente. Quero partir mas ao mesmo tempo sinto que ainda tenho muito para dar, só não sei como. Quero esquecer o Passado e vaguear no Presente, recomeçando do zero mas os pesadelos não me deixam.
Vagueio na noite e sinto-me invadida em vez de me sentir viva.

Tuesday, November 02, 2004

Penso na minha vida...Terá sido banal ou repleta de sentido, de magia?
Olho à minha volta e vejo que tem tido alguma magia, sem comparar com as outras vidas que se têm cruzado com a minha. Essa magia é intransmissível. Ninguém a compreenderá, não espero que assim seja. Preocupamo-nos sempre demasiado em ter o reconhecimento dos outros, de tal forma que acabamos por nos limitar e deixar de pensar ou viver o que realmente interessa. As mortes sem sentido continuam, o que faz o meu coração voar por memórias longínquas...saudades daqueles tempos...saudades daquele fantástico amor de verão...
E se eu lhe tivesse telefonado? Será que ainda cá estaria? Teria feito alguma diferença?

Tenho demasiada energia presa em mim que não sei como soltar. Cada memória de tempos idos e desperdiçados fortalece a minha força de viver, mas não sei como. A minha cabeça é um caos, uma cidade em hora de ponta com acidentes e obras a dificultar ainda mais a passagem...
Parece-me estar a atingir um estádio de perfeição, com as devidas limitações. Sinto-me apta a reconhecer o que move o ser humano, de forma a melhor o compreender, de forma a compreender-me. Tento mentalizar-me que a solidão será cruel, mas só depois de deixar de sentir essa crueldade, só depois de saber aceitar, me poderei partilhar.
Quando conseguir aceitar tudo incondicionalmente, poderei amar. O primeiro passo é afirmar-me perante mim mesma.
Estarei então preparada para enfrentar o mundo.

Tuesday, October 26, 2004

o pesadelo que a atormenta

Ela pensou que tinha encontrado o seu príncipe...mais que enganada estava e teimou em viver uma ilusão, até que se apercebeu que algo a puxava para um abismo, sem hipóteses de retorno. Quando quis fugir, quando decidiu voltar a ser ela própria, o seu "príncipe" atirou-se para o abismo, perdeu o último fio que o agarrava à vida. Ele viveu uma fantasia complicada, doentia...Até hoje, ela procura respostas que não consegue encontrar. Ela evita estes pensamentos que lhe atormentam a noite...um tormento que se vai tornando mais forte de dia para dia, como se estivesse novamente a ser puxada para um abismo. Ele...pobre alma...semeou fantasias e colheu a sua própria morte. Terá sido uma encenação falhada? Ela crê que no último momento, pelo menos no último momento, ele viveu em pleno a sua realidade, daí a queda voluntária pelo abismo. A única certeza que ele teve na sua vida terá sido certamente essa sua última escolha, a morte voluntária, uma vez que a vida dele não existia. Tudo não passou de uma longa encenação...uma triste encenação na qual apenas ele acreditava. Todos à sua volta o abandonaram, como se toda a plateia abandonasse o teatro por a peça ser tão má...Que triste vida terá ele levado...que doença o dominou sem que ninguém se tivesse apercebido? Quando ela chegou à sua vida já era tarde demais, por mais que ela tivesse tentado...comprou, à partida, uma guerra perdida. Mas o que a motivou a continuar no momento em que também se apercebeu estar no meio daquele guião mal elaborado? Não me parece que ela tenha encontrado a resposta. Hoje vive com a imagem, por vezes distorcida, do seu pesadelo (ele) tombado, como que de propósito, com a face inchada virada para a porta que ela iría abrir. Ele sabia que assim seria, só não sabia que quando ela chegasse já ele teria tombado. Tudo parecia sereno... A sua cara parecia serena, como que dormindo, não fosse a língua roxa que lhe saía pela boca...os olhos semicerrados...a cadeira mal se movera do sítio onde ele a terá colocado, como se tivera descido calmamente um degrau...Ela ainda esperou mas ele não abriu os olhos...estagnou alguns segundos...pareceram horas...a casa tinha um cheiro agradável...um cheiro que ela já não recorda, mas era intragavelmente agradável...Ela desejou desmaiar e acordar apenas quando tudo tivesse passado...Um copo de whiskie em cima da mesa, a garrafa guardada no armário da cozinha...a chave de fendas em cima da mesa...a mensagem no telemóvel, que ela enviara e que ele não leu... Ainda teve de deambular pela casa e fazer telefonemas...Como se diz a alguém que ele escolhera a morte? "...matou-se..." e pouco mais lhe saiu...as suas cordas vocais estavam exaustas...ela sentiu um peso enorme mas nunca conseguiu perder os sentidos e sozinha tentou superar o que havia a superar. E, assim, também ela acabou por entrar numa ilusão...isto não conseguiría ela superar sozinha e quando se apercebeu de tal facto, compreendeu que algo se quebrou dentro de si, algo que não consegue reparar, nem sozinha e, receia, nem com ajuda... Resta-lhe a esperança e a paciência para esperar que o dia de amanhã seja melhor... Talvez um dia o ter de acordar deixe de ser tão desgastante...

Friday, October 22, 2004

Já leram um livro cujo título é algo como "Escovei o cabelo 100 vezes?"Eu estava um dia nas compras e dei, como sempre uma vista de olhos nas bancadas dos livros e dei com o tal. Pus-me a ler algumas páginas até me sentir incomodada pelo segurança que me controlava indiscretamente, apesar do meu ar descontraído a ler o livro (se o quisesse roubar não estava ali tanto tempo,enfim...). As páginas que li provocaram-me algum desconforto, fizeram-me relembrar situações pelas quais passei...Não me considero ninfomaníaca, foi apenas uma fase brutal, sempre à procura de sexo...Cheguei a fazer 200 e tal Km para me encontrar num hotel com um estranho. Foi uma tarde inteira em que parecíamos uns animais. Só quando fomos jantar me apercebi bem dos seus traços físicos...e enchi o copo de vinho...e voltei a encher...Não estava a acreditar como fui capaz daquela barbaridade...eu que sou tão esquisita a escolher os meus parceiros. Mesmo assim, depois do jantar, e algo ébria, voltámos ao quarto e despi-me novamente (ele também, mas nem o observei), e a minha própria imagem é que me foi excitando, como que alucinada, como se estivesse fora do meu corpo, sendo aquela pessoa apenas uma personagem de um filme erótico. Tanta excitação apenas porque me podia observar totalmente através dum espelho e ver-me ali de gatas apenas com umas botas pretas (sou doida por calçado que torne as pernas mais sensuais). No entanto, este é apenas um dos exemplos dos vários encontros sexuais que tive que foram extraordinários no momento, mas o dia seguinte era sempre um pouco mais cruel. Não restava nenhuma sensação de prazer, como quando se recordam momentos e sentimos aquela coisa esquisita mas agradável na barriga, como se tivéssemos borboletas a esvoaçar cá dentro, apenas sentia um vazio, uma ressaca estranha...Acho que consegui ultrapassar essa fase. Tornei-me mais exigente. Agora prefiro esperar pelo homem certo, pode não ser aquele para toda a vida, mas quero voltar a sentir o suave bater de asas das borboletas na minha barriga...O verdadeiro prazer é aquele que invade todo o nosso corpo, a nossa alma, os nossos sonhos, que nos faz estremecer só de pensar...

sonhos de uma noite de insónias

Vontade de partir não me falta...partir para bem longe, onde não precise de mentir quando me perguntam se estou bem, onde não precise de esconder-me da minha sombra. Desejo partir para um mundo irreal, mas só os sonhos de um sono profundo me conseguem levar até lá.
O meu coração explode como um vulcão, cuspindo uma lava de ansiedade que não sei como estancar. Será paixão? Um sonho infantil?
Desejo, por vezes, que alguém me venha buscar a este mundo e me leve para um outro onde o único sofrimento seja o das desventuras da paixão, mas sem perdas definitivas. Que seja eu a primeira perda definitiva.
A euforia de receber um telefonema há tanto desejado é mais curta do que eu esperava. Pensei que me desse uma dose de alegria para sobreviver mais uns dias...
Só quero conseguir ser eu própria e ultrapassar os preconceitos que me afrontam. Não me sinto viva. Não me sinto importante. Sinto-me completamente deslocada e continuo sem perceber onde poderá ser o meu lugar. É deprimente estar viva e não o sentir, não o partilhar...sinto-me a morrer dentro deste corpo que se move, que tenta estar em constante movimento...estranho mas verdadeiro...morto por dentro, em movimento por fora. Talvez seja este atrito que me está a esgotar.
Não procuro nenhuma solução fenomenal, apenas tento encontrar sentido em todas as pequenas coisas que me rodeiam...em vão...
Procuro alguém mais parecido comigo, com quem possa partilhar aventuras e desventuras. Mas...se for parecido comigo como o conseguirei reconhecer?...

Thursday, October 21, 2004

Estas palavras ardem no meu coração

É isto um jogo do gato e do rato? É amor mas estamos ressentidos pelo que se passou há uns anos? Não sei se sentirei a tua falta quando partir...mas todos estes anos em que estive ausente, nunca deixei de pensar em ti, de sentir raiva, de sentir ciúmes, de desejar estar a teu lado quando sabia que estavas em baixo...
Gostava de saber o que pensas, o que sentes, o que sentes por mim, apesar de muitas vezes me invadir a certeza de que te sou completamente indiferente e nem num cantinho do teu coração me guardas. Não consigo entender porque continuo fascinada por ti... Talvez por acreditar piamente que és melhor do que a pessoa que mostras ser.
Cada vez que vinha embora e tu nem davas pela minha saída...quem me dera conhecer a sensação de acordar a teu lado. Sonho ir às compras contigo, ponderar, procurar contigo resoluções para possiveis obstáculos nas nossas vidas...ir tranquilamente tomar um café contigo, simplesmente conversar sobre coisas banais ou sobre as nossas vidas... Afinal o que é que sabemos um do outro? Não o suficiente para compreendermos...
Creio que apenas nos conhecemos num momento errado das nossas vidas...
Agora aqui estou eu, sentindo um peso enorme no meu coração pela sensação de ser a pessoa errada no sítio errado, na hora errada...até no ano errado...
Não sei onde encontrar a força para combater a fúria que me invade, a vontade que tenho de dizer-te exactamente o que penso, o que quero, que estou disposta a lutar por ti, pela pessoa maravilhosa que tu sabes ser. Mas o medo de perder essa luta é tão grande como a certeza de que assim seria...por isso tenho de acorrentar o meu coração para que nada saia cá para fora, para evitar que mais mágoa entre...
Bem...talvez um dia te diga. Talvez um dia em que seja tarde demais, um dia em que eu esteja novamente de partida.
Tudo o que te tenho dito são coisas banais que apenas tentam abrir caminho para as palavras que realmente te quero dizer e sussurrar algumas delas ao ouvido. Gostava que fosses mágico e adivinhasses os meus pensamentos...
Ou...talvez seja mais fácil habituar-me à ideia de que não és a pessoa que eu penso que és capaz de ser, e seguir a minha vida...qualquer que seja...